Você já jogou um videogame e gastou dinheiro para comprar itens como roupas para o personagem ou caixas surpresa? Esses jogos, que misturam diversão e compras, estão cada vez mais populares. Mas será que eles são só entretenimento ou podem ser considerados jogos de azar, como cassinos? Um estudo recente da USP (Universidade de São Paulo) tentou responder essa pergunta.
Publicado no dia 20 de março de 2025, o estudo analisou o comportamento de jogadores no Brasil e entrevistou 3 mil pessoas entre 2023 e 2024. Os pesquisadores queriam entender a diferença entre se divertir jogando e entrar no mundo das apostas. Eles descobriram que muitos jogos modernos, como Free Fire e FIFA, oferecem “loot boxes” — caixas virtuais que você compra sem saber o que vem dentro. Isso pode lembrar uma roleta de cassino, porque depende da sorte.
O estudo mostrou que 47% dos jogadores brasileiros já gastaram dinheiro em loot boxes ou itens virtuais. Dessas pessoas, 15% disseram que às vezes gastam mais do que podem, o que preocupa os especialistas. Isso acontece porque esses jogos usam recompensas aleatórias para manter os jogadores voltando, um truque parecido com o das máquinas caça-níqueis. Por outro lado, a maioria (85%) disse que só gasta por diversão e não vê problema nisso.
Os pesquisadores também explicaram que nem todo jogo com compras é jogo de azar. Para ser considerado assim, precisa envolver apostar dinheiro com a chance de ganhar algo valioso de volta, como em uma loteria. Nos videogames, você geralmente só ganha itens virtuais, não dinheiro real, então fica em uma área cinzenta. Mesmo assim, o estudo sugere que o governo crie regras mais claras para proteger os jogadores, especialmente os mais jovens, que podem não entender os riscos.
Esse debate é importante porque o mercado de games no Brasil movimenta bilhões de reais, e as empresas querem lucrar cada vez mais. O estudo da USP ajuda a separar o que é só diversão do que pode virar um problema, como o vício em apostas.